sábado, outubro 02, 2004

Calma

A calma é o espaço de tempo necessário, que permite tomar consciência, a uma decisão complicada de firmar. É frequentemente exigida mas, não se movem todos ao mesmo ritmo. Qual a razão para invocar a calma quando não restam dúvidas? Deverá ser penalizada a velocidade? Não posso ter calma. Não seria eu. Estaria a representar um papel de outro. Eu sou assim. Observo. Ouço. Sinto. Penso. Medito. Imagino. Associo. Aceito. Não vou ter calma. Decidi. Agora espero. Espero. Mas não espero por mim. Espero por ti. Imagino o teu sim. Receio o teu não. Espero que gostes de mim. Mas que gostes de mim como sou e não como deveria ser! Agora também já não importa muito. A distância do limite é ínfima. Se correr bem, será muito bom! Se correr mal, será apenas mais um empurrãozinho... Não faz mal! A sério que não faz mal. Nos sentimentos divido-me entre a vontade de me adorar por ser especial e diferente e a vontade de arrancar o meu coração a sangue frio, esticando o braço, vendo as suas ultimas contracções pingantes. Não falas. Não sei o que pensas. O teu lado oculto é demasiado bem protegido para que o possa entender como um todo. É apenas um dos muitos tesouros dos quais és a guardiã. Pediste-me para esquecer o assunto. Não posso, mas fingirei ter esquecido. Não quero ir contra as tuas vontades. Fingirei ter esquecido. Sou de extremos. Muito pessimista. Por vezes nasce em mim uma esperança que explode positivamente em ritmos incontroláveis. Tem crescimento exponencial. Infelizmente, precisa de um sustento de tal ordem que não existem quantidades para a fazer singrar ou subsistir e como tal, definha na mais condolente das contracções. Eu sou assim e assim vou ser. Decide com calma.

1 comentário:

Anónimo disse...

"Não falas. Não sei o que pensas. O teu lado oculto é demasiado bem protegido para que o possa entender como um todo. É apenas um dos muitos tesouros dos quais és a guardiã." parece ser feito para mim :) Adoro a maneira como te expressas. Sei que é injusto, afinal visitando o teu blog, fico-te a conhecer um pouco. Venho cá muitas vezes, pelo prazer de ler o que escreves, mas só hoje achei que deveria deixar uma mensagem, porque com muita pena minha, já há algum tempo que não escreves :(. Mas tal como o no teu texto, apesar de não ter tesouros, tenho de ser minha guardiã*********Edgar