sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Memória

Decidi colocar aqui um texto que escrevi à muito, muito tempo para a escola quando ainda era criança (onze anos de idade), em resposta a um tema escolhido pelo professor para trabalho de casa. Na altura o professor gostou tanto que mostrou aos outros professores da escola e decidiram publicá-lo num jornal local.


“Como serei quando a minha idade se situar nos 40 anos?”

“Quando eu me encontrar nesta faixa etária tudo farei para concretizar o meu maior sonho. Este sonho é conduzir um carro muito luxuoso em conforto e aspecto, ao lado de uma linda mulher e com dois filhos atrás. O rapaz e a menina serão da mais extrema e profunda beleza e inteligência. Eles serão os filhos pródigos que quaisquer pais desejariam.
O espaço exterior será uma fantástica floresta virgem só comparável às mais desconhecidas existentes na Amazónia. Essa floresta chegará até à estrada e conterá nela pássaros de cores inimagináveis e tão variadas que fariam inveja ao melhor arco-íris do mundo.
O tempo, para tornar este lugar paradisíaco e ao mesmo tempo fantasmagórico, irá ser muito húmido, em que cairão levemente finas e imperceptíveis gotículas como orvalho, numa noite de luar. As nuvens pesarão ameaçadoramente por cima das nossas cabeças, como se encontrassem num ponto de saturação tão elevado, que não demorassem a largar todo o líquido recolhido e guardado nelas. Por vezes largavam descargas eléctricas, da cor da mais pura prata, estrondosas.
Além dos pássaros e de algumas raposas e felinos não se avistará no horizonte um único ser humano.
A estrada será de alcatrão e dará para seguir apenas um sentido.
O carro luxuoso será a minha protecção em relação à vida. A minha mulher e os meus filhos serão a minha fonte de diálogo e de felicidade. A floresta virgem será como uma fronteira intransponível para com o mundo exterior. Os animais em conjunto com as mais raras e exóticas espécies de plantas que brotam as mais radiantes flores, darão vida à “fronteira”. As finas gotículas de orvalho serão alimento e fonte de energia para os animais e plantas. A razão porque não se avistaria nenhum ser humano é a de que o ser humano é o animal mais terrível e destruidor de que alguém alguma vez teve conhecimento e levaria ao imediato desaparecimento deste cenário “acolhedor”. A estrada será a minha vida assim que a vou percorrendo até chegar ao seu limite ou seja o fim da minha vida.”


Os anos passaram mas, os pensamentos mantêm-se com alguns refinamentos. Alma egocêntrica, insatisfeita e homofóbica que procura percorrer, acompanhada, um mundo despovoado.

4 comentários:

Anónimo disse...

hmm não sei q dizer..
o texto até me deixou um bocado :(
ja sabes q escreves mto bem.. ihihi :P jinhus

*Lara*

Anónimo disse...

As tuas palavras «arrepiam» o meu coração

Anónimo disse...

isto tá dif pa comentar lol
n gostei da musica .. cm tu dizes, n faz o meu genero :P
o texto é giro até pq o simples facto d seres tao novinho e escreveres c aquela complexidade mostra q há algo d dif ..
N me deixou triste o texto lol nem me fez transportar para esse teu mundo mas msm assim gostei, demonstrou aquilo msm q dissest, o tmp passou, mais d 10 anos, e enquanto o lia percebi q so podias ter sido tu a escrever lol tem a tua cara :P

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Marta

Unromance disse...

Não gostava de viver num mundo assim. Não sou muito partidária do isolamento, mesmo eu muitas vezes o fazer porque preciso mas é muito diferente desse que falas. São precisos os problemas, os inemigos, o odio.. para que possamos evoluir, e quando digo evoluir é em relação a nós mesmos. Tornarnos inteligentes, sensiveis, simpaticos.. não está só nas nossas mãos e nas mãos de mais ele e ela.. A sociedade é um mal ou bem mas é necessario. Quanto ao paraiso fisico.. Esse sim é lindo, e muito indigno de ser descoberto. mesmo para ti. *** Fica bem