domingo, fevereiro 13, 2005

Palavras

Claro que caminho! Porque não o haveria de fazer? A minha força está para além da tua perecida imaginação. São as velhas pedras que sustêm, como colunas, o meu sólido céu. Só o eterno é considerado marca. Claro que sigo e consigo! A vida, para já, só tem um sentido unidireccional. Cartas chegam. Cartas vão. Cartas perdem-se. Vê-te no meu passado. Vê as minhas palavras no meu presente. Vê o meu poder no meu futuro. Frente! Forte. Muito forte! Extraio o meu poder da tua fraqueza. Alimento-me como um necrófago da tua carcaça. Sorrio com a minha morbidez. Não entendes? A minha energia está por todo o lado. Sorvo o que encontrar. Alimento-me de tudo. Sou tudo. Do que tu não queres e do que tu queres. Sou eu. Poderoso parasita. Sou o que tu tentas negar por não conseguires acompanhar. Sou eu que te fascino e encanto. Sou eu que vou permanecer na tua indiferença. Sabes, fico feliz por te ter dado o desafio da tua vida, conseguires negar-me! Represento o teu sangue e sem ele não vives! Sou o tudo que te assusta e envolve delicadamente. A partir de agora sou a tua batida cardíaca. Poderás viver sem mim? Claro que sim. Feliz? Não! Sorrio na minha arrogância. A tua felicidade foi o preço do arranhão que lhe fizeste. Demónio à solta? Não, nem penses nisso. Apenas ouves os seus grunhidos atrás das grades. Apenas sentes o seu calor e vibrações. O cume das suas acções não pode ser observado por ti. Desfaleces antes. Ele continua louco e magnânime em toda a sua sumptuosidade e elegância. Quanto maiores forem as vantagens maiores serão as desvantagens. A vida é como a bolsa de valores, quanto mais arriscares maior a tua perda ou ganho. Na bolsa alimentam-se os maiores das perdas dos menores. Lei da vida humana. Lei que dita a existência de poucos grandes para muitos pequenos. Foge de mim. Eu sou o mundo. Para onde vais fugir? Eu não te persigo. Apenas não existe porta de saída do meu mundo por isso não sais dele. Outro desafio? Não. É o mesmo! A capacidade de aprender é inata. Sou mau? Não. Ele é que é. Disse-te para não falares com ele. Agora sou muito mais poderoso que ele. Agradece por isso. Ouves a música do meu pensamento? Sentes a minha dimensão imensa? Consegues sentir? É este o ritmo que me move. Temes a sua aceleração? Sim, estou melhor que nunca. Arvores a voar! Pássaros a balouçarem. Peixes a acelerarem. Veículos a nadarem. Ritmo! Energia! Força de movimento! Sim! Infinito! Não há limite para a intensidade! O meu calor é demasiado forte? Queima-te? Assim poupa-te o trabalho de te imolares. Pena a falta de desejo de te emulares. A maior parte dos aparentes erros apenas acentuam a ignorância do ego. Um piano tem notas graves e agudas. Tenho ainda que te lembrar que nas nuvens há alguém desiludido Parabéns por falhares. Aviso! Saberás mesmo para quem são estas palavras?
Mudando agora de pessoa. Porque que não lês o livro onde está contido o teu destino? Demoras, demoras, demoras! Os meus dedos frágeis e vulneráveis continuam a tocar a tua melodia. Continuam a esperar os recantos quentes do teu corpo. Tanto valor desperdiçado. Os catalisadores foram descobertos para serem usados. Acordo sorridente. Penso em ti. Sorrio de novo. A paz preenche-me a alma. O sol irradia e propicia em mim uma crescente moleza e melancolia que grita por ti. Estou deitado na espreguiçadeira da varanda. Que esperas para adormecer em mim? O teu perfume… A tua boquinha pequenina continua cinzelada, nas minhas rugas da memória. O tempo pode passar mas, existem momentos demasiado fortes. Cresço contigo e, mesmo longe, lembras-te de mim! A tua vida é tão estranha. Nunca a entendi muito bem. É algo a que vou dedicar mais tempo, brevemente. Tu vales isso. Sim, claro que vales. Sabes pouco de mim. Saberás sempre pouco de mim. Espero que chegues a saber o suficiente para perceberes o meu valor. Melhor dizendo, já o percebeste à muito. Malditas barreiras invisíveis que atormentam a minha serenidade. Paixão? Amor? Não sei… Qualquer coisa que me faz lembrar de ti nalguns momentos… Espero claro! Não foi o que te prometi? As minhas palavras são como cheques passados. Mais tarde, até podem causar arrependimento, mas, estão passados, são para cumprir. Não percas tempo. As borboletas brancas continuam a levitar desarmoniosamente nos campos de tulipas e flores silvestres, debaixo de um sol conquistador e sanador. O tempo é terrível. Fecho os olhinhos e vejo-te de novo a sorrir para mim e a falar claro! Espero por ti! Não prometo esperar sempre. Aviso! Saberás mesmo para quem são estas palavras?

3 comentários:

Anónimo disse...

O texto está lindo! Por momentos fêz-me lembrar a história do Prince of Persia. lolol Bolas... ando tão envolvido no jogo que já me afecta o raciocinío!

Unromance disse...

Como comentar.. Gostei.

Patrícia Mota disse...

Tive de ler o texto tres vezes, não seguidas. Não para o perceber, mas para o poder comentar. Acho que só devemos falar daquilo que realmente entendemos. E, por isso quis ver se entendia tudo.
Não entendo... Mas não me importo, sei que contigo é assim.
As palavras que escreves são cheques dos quais já não te lembras o valor, só quando um dia, alguem sem piedade, tiver a coragem de te aqs cobrar é que as vais sentir na pele. E vao te queimar a ti, tanto ou mais do que queimam a quem as diriges.

Sei ao menos que estas palavras não são para mim, eu na minha pequenes nao existia quando as decidiste mostrar ao mundo... Se ja me esperavas? Não sei. É daquelas coisas que vão ficar para sempre contigo... Porque eu não as quero.